Um pouco de mar se fez estrela
Cansado da inutilidade de ser mar
O dia se fez noite
e permeou o meu corpo inerte,
conquanto no peito,
a ferida viva fecunda o verso
e a mão delineia um poema
na morna textura do papel.
Conspiram o Cósmico e o Divino
O meu desejo de menino,
Que sonha ser feliz.
Antes que a noite se faça dia,
em que eu perverso, saudade e verso
feito homem
em tempo de perder-se a poesia.
Poema de minha irmã Fátima Tavares Bahia que foi publicado em sua página no Recanto das Letras. Deixo aqui uma bela dica de leitura. Que todos tenham um belo dia e tenhamos todos uma bela partida de futebol e uma linda vitória do Brasil!
Bjs a todos
O manual do inseguro.com surgiu após escrever a peça O Manual do Inseguro. A princípio, o intuito era falar sobre o tema, mas logo me voltei para o assunto que sempre me moveu: Literatura. Fiquei um longo tempo afastada. Espero aos poucos reconquistar os leitores e amigos que aqui encontrei. Registro na Biblioteca Nacional n° 359.640 em 11/11/05
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Romance escrito em tempo real
terça-feira, 15 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Secretamente
Lembro-me que havia chegado há pouco do interior de Minas e estava começando em meu primeiro emprego. À noite ainda ardia de saudade do meu quarto, do cheiro da minha casa. Todas as casas têm os seus cheiros. Hoje, não sei porque veio-me às narinas o cheiro da casa de dona Rosa. Era um cheiro adocicado de todas as quitandas guardadas na parte de baixo de guarda-louça. Lá, tinha-se a impressão exata de que as pessoas dormiam em seus postos e a engrenagem só voltava a funcionar quando chegávamos à noite para tomar café com quitandas e ouvir casos de assombração. Dona Rosa faz parte do meu quarto suspenso, deixado para trás com tudo que o envolvia. Depois de tantos anos, o cheiro de sua casa e enquanto as sensações vibravam em meu cérebro,minhas lembranças se tornaram vivas, juntamente com dona Rosa e as mulheres que serviam a mesa, com lenços brancos cobrindo os cabelos. Relembrar é uma forma de me perder, mas descobri que posso me perder também em pessoas, como na vez que me encontrei com meu pai e me perdi em suas mãos que estavam pintadas pelo tempo. Lembrei-me de minha formatura do grupo escolar, entramos de mãos dadas na igreja. Lourdes, minha vizinha, quando se formou no grupo fez cachos nos cabelos e eu fiquei encantada, parada na porta, sem conseguir entrar. Prometi a mim mesma que também faria quando chegasse a minha vez, mas não fiz e nem me lembro porquê. Nunca pensei que existisse espaço para tanta saudade em um único ser. Acho que necessito de um grande segredo, quem sabe sair de casa à tardinha e voltar pra casa mulher. Assim, de repente. Ninguém jamais saberia, jamais contaria.
Stella Tavares
Remexendo em papéis , deparei-me com essas divagações. Ando meio nostálgica e acho que a culpa é da falta do meu computador. Tão logo ele esteja de volta, pretendo colocar todas as visitas em dia e rever todos os amigos. Espero que apreciem relatos antigos, quase secretos.
Bjs a todos.
Stella Tavares
Remexendo em papéis , deparei-me com essas divagações. Ando meio nostálgica e acho que a culpa é da falta do meu computador. Tão logo ele esteja de volta, pretendo colocar todas as visitas em dia e rever todos os amigos. Espero que apreciem relatos antigos, quase secretos.
Bjs a todos.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
O caminho de volta
Entreguei-me ao vício aos dezoito anos, renasci aos vinte e cinco quando descobri que merecia uma segunda chance e procurei por ajuda. Foi então que descobri tantas outras pessoas que, como eu, tateavam o caminho de volta, buscavam por um renascimento. Foi uma longa jornada, cheia de sofrimento, mas também de aprendizados, desses que ficam para sempre. Voltei a estudar e me formei em engenharia civil, me casei e tenho três filhos e uma família harmônca. Não preciso mais de muletas para enfrentar nenhuma situação. Perdi por completo o medo de errar, não mais me considero infalível. Tanta coisa mudou em mim. Convivo tranquilamente com os meus pés de barro.
Murilo Gouveia - 43 anos
Depoimento por email
Hoje, Murilo é um ser humano em construção como ele mesmo se define. Aprendeu a viver um dia de cada vez. Deixou para trás o vício e a descabida pretensão de ser perfeito.
Murilo Gouveia - 43 anos
Depoimento por email
Hoje, Murilo é um ser humano em construção como ele mesmo se define. Aprendeu a viver um dia de cada vez. Deixou para trás o vício e a descabida pretensão de ser perfeito.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
A fênix que em nós habita.
Acredito que em cada ser humano exista a essência da fenix. Já fez as contas de quantas vezes em única vida a gente renasce? Renascemos de pequenas avarias ao pó mais denso. Já contabilizou a quantos dias seguintes sobrevivemos? Alguns marcam para sempre e se transformam em rochas, pilares do nosso alicerce. Vamos nos lembrar para sempre como marcas de guerras que vencemos. Tatuagens em nossas almas que com o passar do tempo nos orgulharemos como se fossem medalhas, afinal vencemos! Vencemos a nós mesmos toda vez que conseguimos transmutar dor em luz, em força que nos conduz à etapa mais evoluída para o nosso espírito. A fechar ciclos e recomeçar, buscando em nós mesmos a Centelha da Vida que recebemos e permitir que ela nos ilumine e nos restaure novamente e para sempre, a cada dia.
Stella Tavares
Stella Tavares
terça-feira, 27 de abril de 2010
Mapeando sentimentos
Sempre tento mapear os meus sentimentos.
Raríssimas vezes não soube como traduzi-los, ainda que através de olhos,
de lábios, silêncio, águas...
Isso sem falar nesses meus olhos que nunca mentem. Se estou feliz, brilham, caso contrário
mergulham numa total opacidade.
Sem falar também nas palavras que escorrem de minhas mãos e denunciam os sentimentos mais recônditos. Transparência - armadilha desta menina que os anos insistem em não levar de mim. E ela fica e se perpetua, tatuada em minha essência.
Stella Tavares
Raríssimas vezes não soube como traduzi-los, ainda que através de olhos,
de lábios, silêncio, águas...
Isso sem falar nesses meus olhos que nunca mentem. Se estou feliz, brilham, caso contrário
mergulham numa total opacidade.
Sem falar também nas palavras que escorrem de minhas mãos e denunciam os sentimentos mais recônditos. Transparência - armadilha desta menina que os anos insistem em não levar de mim. E ela fica e se perpetua, tatuada em minha essência.
Stella Tavares
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Osvaldo França Jr- Uma doce lembrança
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Foi na década de 80 que comecei a freqüentar as rodas literárias de Belo Horizonte levada por minha irmã, Dora Tavares. A mesma irmã que me apresentou aos livros também se encarregou de apresentar-me a grandes autores. Foi na época em que ela lançou o seu primeiro livro de poesia “O Resgate da Palavra.” Morávamos juntas e enquanto ela gestava idéias e poemas para o seu segundo livro, “Pássaro em Diagonal”, freqüentávamos lançamentos de outros autores, debates, palestras. Assim, tive o doce e inesquecível prazer de conhecer Osvaldo França Jr. Lembro-me da grande emoção que senti ao ver aquele gentil homem que tinha o dom de encantar. Dono uma simplicidade comovente. Figura fácil em todos os lançamentos de livros. Não importava se o convite houvera partido de um autor renomado ou estreante. O passaporte para sua presença sempre foi um simples convite. O seu largo sorriso espargia simpatia por onde passava. Por ocasião de sua morte foi uma comoção geral, uma dor intensa que não vinha exclusivamente pela perda do grande autor A dor maior era pensar que, a partir daquela data, não mais poderíamos contar o sorriso que iluminava e preenchia qualquer ambiente. Pessoas assim deixam um tipo de saudade que nem o tempo com o seu poder anestésico consegue amenizar. Dura constatação de sua ausência e a certeza de que, pelo resto de nossos dias, todas as vezes que nos lembrarmos do “França”, como era carinhosamente chamado, a primeira imagem que nos virá à mente será a do seu sorriso de abre alas, de dia de sol, de noite fresca iluminada por uma lua gigantesca. Vai-se o autor e ficam as obras. Graças a Deus que ficam! Grandes obras desse espetacular escritor mineiro. .
Stella Tavares
Sua obra:
O Viúvo (1965)
Jorge, um brasileiro (1967)
Um Dia no Rio (1969)
O Homem de Macacão (1972)
A Volta para Marilda (1974)
Os Dois Irmãos (1976)
Aqui e em outros Lugares (1980)
À Procura dos Motivos (1982)
O Passo-Bandeira (1984)
Recordações de Amar em Cuba (1986)
No Fundo das Águas (1988)
De Ouro e Amazônia (1989)
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Sem toque de Midas
Jamais seria feliz sendo Midas. O brilho do ouro nunca me encheu os olhos.
Convivo pacificamente com a sua falta e quando toco em uma maçã quero sentir
o seu gosto.
Jamais salivaria por uma maçã de ouro.
Stella Tavares
Ps: o toque de Midas não está necessariamente no que escrevemos, mas, com certeza,
está nos olhos de quem lê. Haveria no mundo algo mais sem valia que escritos sem leitores, ainda que profundos? É do olhar atento dos leitores que advém o toque que transforma. Eis aí o verdadeiro toque de Midas!
Uma Feliz Páscoa a todos os leitores e seguidores do manual.
Convivo pacificamente com a sua falta e quando toco em uma maçã quero sentir
o seu gosto.
Jamais salivaria por uma maçã de ouro.
Stella Tavares
Ps: o toque de Midas não está necessariamente no que escrevemos, mas, com certeza,
está nos olhos de quem lê. Haveria no mundo algo mais sem valia que escritos sem leitores, ainda que profundos? É do olhar atento dos leitores que advém o toque que transforma. Eis aí o verdadeiro toque de Midas!
Uma Feliz Páscoa a todos os leitores e seguidores do manual.
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