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Romance escrito em tempo real

sábado, 19 de junho de 2010

Sem Imposições

Quando dispo de tudo que me foi imposto, descubro-me mulher feita e reverencio minha alvenaria exposta. Só então me reconheço e respeito o barro de que sou feita adicionado a sangue, veias e digitais que são tão minhas! Inconfundíveis! Intransferíveis! E que me lembram a cada instante que sou única, criada por um Deus que sabe ser soberano sem impor sua vontade. Bendita sabedoria que deu a cada um o seu traçado, Não consigo existir pesada de influências, exigências que não são minhas.
Tão mais fácil é viver com o que se acredita, com o que se sabe, dentro de uma história escrita de próprio punho. O que se espera de nós normalmente fere a nossa essência, desvirtua e faz entristecer os nossos olhos.

Stella Tavares

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Uma importante decisão

Algumas pessoas têm o dom de resumir pessoas em poucas palavras. Como se tivessem uma lente própria e plenos poderes para julgar. Já ouvi definições a meu respeito de pessoas próximas que em nada se assemelhavam ao que realmente sou. Sentia-me magoada até o dia em que descobri que algumas pessoas são assim.Sentem-se extremamente confortáveis para apontar o dedo, julgar, se preocupar com a vida do outro como se disso dependesse a sua própria vida. Colocam suas vidas em segundo plano e gastam horas do seu bendito dia para falar mal, apontar defeitos e sem nenhuma modéstia, resolver a vida do outro em uma única frase. Acredito que seja uma espécie de fuga, enquanto centralizamos problemas alheios, colocamos o holofote em cima, os nossos próprios ficam confortavelmente esquecidos. Quanto tempo precioso perdem! Alguns passam a vida assim. De minha parte sempre admirei uma seleta e altiva caravana que passa em meio a cães uivadores. Prestando atenção, dá para ver claramente, que cães uivadores ficam estacionados no mesmo lugar enquanto a vida passa e a caravana, por sua vez, segue em frente em busca de caminhos. Viver é árduo, não basta apenas respirar. Temos nossos quereres para buscar, nossos filhos para criar e sempre resgatando em nós o que de melhor existe para norteá-los. Necessitamos valorizar o essencial, estar sempre abertos para aprendizados. Ufa! Não me sobra tempo para perder falando mal desse ou daquele, focando em defeitos alheios. Tenho os meus próprios para lapidar. De tudo isso, o que de mais importante fica é a escolha: decidi fazer parte da caravana. Até o último dos meus dias.
Stella Tavares

terça-feira, 15 de junho de 2010

Em tempo

Um pouco de mar se fez estrela
Cansado da inutilidade de ser mar
O dia se fez noite
e permeou o meu corpo inerte,
conquanto no peito,
a ferida viva fecunda o verso
e a mão delineia um poema
na morna textura do papel.

Conspiram o Cósmico e o Divino
O meu desejo de menino,
Que sonha ser feliz.

Antes que a noite se faça dia,
em que eu perverso, saudade e verso
feito homem
em tempo de perder-se a poesia.



Poema de minha irmã Fátima Tavares Bahia que foi publicado em sua página no Recanto das Letras. Deixo aqui uma bela dica de leitura. Que todos tenham um belo dia e tenhamos todos uma bela partida de futebol e uma linda vitória do Brasil!
Bjs a todos

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Secretamente

Lembro-me que havia chegado há pouco do interior de Minas e estava começando em meu primeiro emprego. À noite ainda ardia de saudade do meu quarto, do cheiro da minha casa. Todas as casas têm os seus cheiros. Hoje, não sei porque veio-me às narinas o cheiro da casa de dona Rosa. Era um cheiro adocicado de todas as quitandas guardadas na parte de baixo de guarda-louça. Lá, tinha-se a impressão exata de que as pessoas dormiam em seus postos e a engrenagem só voltava a funcionar quando chegávamos à noite para tomar café com quitandas e ouvir casos de assombração. Dona Rosa faz parte do meu quarto suspenso, deixado para trás com tudo que o envolvia. Depois de tantos anos, o cheiro de sua casa e enquanto as sensações vibravam em meu cérebro,minhas lembranças se tornaram vivas, juntamente com dona Rosa e as mulheres que serviam a mesa, com lenços brancos cobrindo os cabelos. Relembrar é uma forma de me perder, mas descobri que posso me perder também em pessoas, como na vez que me encontrei com meu pai e me perdi em suas mãos que estavam pintadas pelo tempo. Lembrei-me de minha formatura do grupo escolar, entramos de mãos dadas na igreja. Lourdes, minha vizinha, quando se formou no grupo fez cachos nos cabelos e eu fiquei encantada, parada na porta, sem conseguir entrar. Prometi a mim mesma que também faria quando chegasse a minha vez, mas não fiz e nem me lembro porquê. Nunca pensei que existisse espaço para tanta saudade em um único ser. Acho que necessito de um grande segredo, quem sabe sair de casa à tardinha e voltar pra casa mulher. Assim, de repente. Ninguém jamais saberia, jamais contaria.

Stella Tavares

Remexendo em papéis , deparei-me com essas divagações. Ando meio nostálgica e acho que a culpa é da falta do meu computador. Tão logo ele esteja de volta, pretendo colocar todas as visitas em dia e rever todos os amigos. Espero que apreciem relatos antigos, quase secretos.
Bjs a todos.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O caminho de volta

Entreguei-me ao vício aos dezoito anos, renasci aos vinte e cinco quando descobri que merecia uma segunda chance e procurei por ajuda. Foi então que descobri tantas outras pessoas que, como eu, tateavam o caminho de volta, buscavam por um renascimento. Foi uma longa jornada, cheia de sofrimento, mas também de aprendizados, desses que ficam para sempre. Voltei a estudar e me formei em engenharia civil, me casei e tenho três filhos e uma família harmônca. Não preciso mais de muletas para enfrentar nenhuma situação. Perdi por completo o medo de errar, não mais me considero infalível. Tanta coisa mudou em mim. Convivo tranquilamente com os meus pés de barro.

Murilo Gouveia - 43 anos
Depoimento por email

Hoje, Murilo é um ser humano em construção como ele mesmo se define. Aprendeu a viver um dia de cada vez. Deixou para trás o vício e a descabida pretensão de ser perfeito.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A fênix que em nós habita.

Acredito que em cada ser humano exista a essência da fenix. Já fez as contas de quantas vezes em única vida a gente renasce? Renascemos de pequenas avarias ao pó mais denso. Já contabilizou a quantos dias seguintes sobrevivemos? Alguns marcam para sempre e se transformam em rochas, pilares do nosso alicerce. Vamos nos lembrar para sempre como marcas de guerras que vencemos. Tatuagens em nossas almas que com o passar do tempo nos orgulharemos como se fossem medalhas, afinal vencemos! Vencemos a nós mesmos toda vez que conseguimos transmutar dor em luz, em força que nos conduz à etapa mais evoluída para o nosso espírito. A fechar ciclos e recomeçar, buscando em nós mesmos a Centelha da Vida que recebemos e permitir que ela nos ilumine e nos restaure novamente e para sempre, a cada dia.

Stella Tavares

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mapeando sentimentos

Sempre tento mapear os meus sentimentos.
Raríssimas vezes não soube como traduzi-los, ainda que através de olhos,
de lábios, silêncio, águas...
Isso sem falar nesses meus olhos que nunca mentem. Se estou feliz, brilham, caso contrário
mergulham numa total opacidade.
Sem falar também nas palavras que escorrem de minhas mãos e denunciam os sentimentos mais recônditos. Transparência - armadilha desta menina que os anos insistem em não levar de mim. E ela fica e se perpetua, tatuada em minha essência.

Stella Tavares