Levei anos a aprender a fazer uma mala corretamente. Sempre levava na bagagem três vezes a quantidade de roupa necessária. Desde menina, desde sempre. Lembro-me de uma viagem que fiz acompanhando meu pai a Belo Horizonte. Devia ter no máximo seis anos quando, decidida, comecei a escolher as roupas para a viagem. Lembro-me que ignorei completamente os conselhos de minha mãe quando disse que não teria tempo e nem local apropriado para usar toda aquela roupa.De todas as peças escolhidas, permanece na memória um conjunto de brim vermelho e que trazia a miniatura de um calhambeque preso um pouco abaixo do ombro esquerdo. Chegando ao destino, constatei o que saltava aos olhos: Não teria mesmo tempo para usar tantas roupas e suas possíveis combinações. Meu pai conversava animadamente com parentes e amigos quando tive a brilhante idéia de desfilar todos os modelitos para a pequena, mas seleta plateia. Vesti o meu imbatível conjunto de brim vermelho e desfielei com decisão perante os olhares supresos. Percebendo a intenção, os adultos paravam a conversa e assistiam atentamente ao desfile. Ao final da apresentação de todo o contingente da mala, aplaudiram entusiasticamente. Este fato tornou-se folclórico e até hoje é lembrado pelos membros da família. Foram-se os anos, mas o exagero da bagagem acompanhou-me fielmente. Há uns três anos aproximadamente aprendi a fazer uma mala compácta, mas capaz de enfrentar as mudanças de temperatura. Não faço mais a mala de Sarah Kubtscheck como dizia o meu pai e nunca mais carreguei peso desnecessário. Descobri que a bagagem mais importante levamos dentro de nós.
Stella Tavares
O manual do inseguro.com surgiu após escrever a peça O Manual do Inseguro. A princípio, o intuito era falar sobre o tema, mas logo me voltei para o assunto que sempre me moveu: Literatura. Fiquei um longo tempo afastada. Espero aos poucos reconquistar os leitores e amigos que aqui encontrei. Registro na Biblioteca Nacional n° 359.640 em 11/11/05
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Romance escrito em tempo real
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Direitos autorais - Devem ser respeitados!
"Não podemos aguardar que os tempos se modifiquem e nos modifiquemos junto, por uma revolução que chegue e nos leve em sua marcha. Nós somos o futuro. Somos a revolução"
(Beatrice Brureal)
(Beatrice Brureal)
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Processo por direitos autorais
Queridos amigos, saudade imensa!
Tomando os devidos cuidados, volto a postar no manual e é com grande alegria que o faço. A dor nos punhos e braços melhoraram consideravelmente e os cistos estão sendo monitorados. De tudo que vivi ficou a certeza de que precisamos nos mantermos firmes. A vida não pára e precisamos estar sempre atentos. Em 2006 fui entrevistada em minha casa para falar sobre os episódios de humor que escrevo desde a adolescência por hobby e por tanto gostar dos personagens. Trata-se de um programa de humor que existe desde os anos 70 e que foi reeditado e permanece até os nossos dias. Enviei alguns episódios à emissora por ocasião da entrevista, os últimos que havia escrito. Algum tempo depois assistia ao referido programa juntamente com minha família quando, estupefatos, nos deparamos com uma história semelhante à minha e até o título era o mesmo. Decepcionados, meus filhos disseram em uníssono: _ Mamãe, é a nossa história?! Assistimos em silêncio o episódio e logo após o fim do programa, recebi vários telefonemas de irmãos, familiariares, amigos que conheciam a história e estavam felizes com o feito, um episódio escrito por mim em horário nobre, mas logo tomaram consciência do que realmente havia acontecido e se mostraram solidários. Decidida, juntei tudo que tinha, o texto e suas evidências, testemunhas e levei até o advogado. O processo continua em andamento.
Desde então procuro manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Também mantenho a confiança de que a justiça será feita. Ficamos um longo tempo sem juiz, o que atrasou demasiadamente o processo. Espero que a partir de agora, caminhemos para um desfecho.
Bjs a todos.
Stella Tavares
Tomando os devidos cuidados, volto a postar no manual e é com grande alegria que o faço. A dor nos punhos e braços melhoraram consideravelmente e os cistos estão sendo monitorados. De tudo que vivi ficou a certeza de que precisamos nos mantermos firmes. A vida não pára e precisamos estar sempre atentos. Em 2006 fui entrevistada em minha casa para falar sobre os episódios de humor que escrevo desde a adolescência por hobby e por tanto gostar dos personagens. Trata-se de um programa de humor que existe desde os anos 70 e que foi reeditado e permanece até os nossos dias. Enviei alguns episódios à emissora por ocasião da entrevista, os últimos que havia escrito. Algum tempo depois assistia ao referido programa juntamente com minha família quando, estupefatos, nos deparamos com uma história semelhante à minha e até o título era o mesmo. Decepcionados, meus filhos disseram em uníssono: _ Mamãe, é a nossa história?! Assistimos em silêncio o episódio e logo após o fim do programa, recebi vários telefonemas de irmãos, familiariares, amigos que conheciam a história e estavam felizes com o feito, um episódio escrito por mim em horário nobre, mas logo tomaram consciência do que realmente havia acontecido e se mostraram solidários. Decidida, juntei tudo que tinha, o texto e suas evidências, testemunhas e levei até o advogado. O processo continua em andamento.
Desde então procuro manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Também mantenho a confiança de que a justiça será feita. Ficamos um longo tempo sem juiz, o que atrasou demasiadamente o processo. Espero que a partir de agora, caminhemos para um desfecho.
Bjs a todos.
Stella Tavares
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Um simples Até Logo - A todos os amigos
Uma pequena pausa, um simples até logo é o que, confiante, espero que aconteça. Fui acometida por fortes dores nos braços e principalmente nas mãos e quando digito e até quando escrevo a mão se agrava. Provavelmente farei cirurgia nas mãos e terei que me afastar do computador. Tão logo seja sanado o problema voltarei e, com imensa alegria visitarei a todos.
Aos queridos amigos que por aqui passam, um grande beijo.
Saudade enorme.
Com carinho.
Stella Tavares
Aos queridos amigos que por aqui passam, um grande beijo.
Saudade enorme.
Com carinho.
Stella Tavares
terça-feira, 27 de julho de 2010
Nomes e Pessoas
Existem pessoas cuja personalidade nada tem a ver com o nome que carregam vida a fora. Conheci muitas Generosas que eram verdadeiras muralhas, se mantinham à distância, sem a menor vontade ou dom de compartilhar, ajudar, doar. Conheci Santas, endemoniadas, inclusive uma vizinha que usava os próprios filhos para segurar os “inimigos” para que ela própria pudesse espancá-los até quando forças tivesse. E não é difícil explicar tanto desacordo entre nomes e personalidades: nomes são escolhidos para bebês, puros, indefesos, risonhos, com uma moleira que pulsa nos lembrando o tempo todo quanto cuidado precisam.
Conheci também pessoas cujos nomes foram assoprados, vieram junto com o sopro de vida, acredito. Como o nome de minha irmã, Maria Auxiliadora, nome certo, totalmente em harmonia com sua personalidade, seu espírito sempre aceso, pronto para o auxílio, o primeiro socorro.
E passaram-se os anos, mudaram os costumes, as pessoas, atitudes, mas em Maria Auxiliadora nada muda porque essência não é passível de mudanças. Tanto faz se a chamamos de Dora, Dorinha, Dôra , Maria, o que importa é a sua essência, que se lhe fosse tirada seria como tirar o sentido do seu viver. Para isso nasceu Maria Auxiliadora, Dora, Dorinha, Dôra , não importa o nome que a chamamos, porque o que sempre fica é a essência que exala de suas mãos.
Stella Tavares
Conheci também pessoas cujos nomes foram assoprados, vieram junto com o sopro de vida, acredito. Como o nome de minha irmã, Maria Auxiliadora, nome certo, totalmente em harmonia com sua personalidade, seu espírito sempre aceso, pronto para o auxílio, o primeiro socorro.
E passaram-se os anos, mudaram os costumes, as pessoas, atitudes, mas em Maria Auxiliadora nada muda porque essência não é passível de mudanças. Tanto faz se a chamamos de Dora, Dorinha, Dôra , Maria, o que importa é a sua essência, que se lhe fosse tirada seria como tirar o sentido do seu viver. Para isso nasceu Maria Auxiliadora, Dora, Dorinha, Dôra , não importa o nome que a chamamos, porque o que sempre fica é a essência que exala de suas mãos.
Stella Tavares
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Em cena aberta
Enquanto leio, extravaso meus sentimentos das mais variadas formas. Já deixei um livro sobre a mesa, para aplaudi-lo. Nunca soube muito bem o que fazer com o que sentia, mas sempre soube que o aplauso é uma intensa forma de homenagem. Outras vezes, quando leio Clarice Lispector, por exemplo, necessito de uma pequena pausa para que as palavras se acomodem, se decantem.
Já li todos os livros de Harry Potter e aguardo o filme do livro mais recente com grande entusiasmo.Tenho um filho de nove anos e outro de treze, com os quais compartilho, prazerosamente, filmes e leituras. Sempre voltamos conversando sobre o filme, comparando-o com o livro, na mesma sintonia.
Na minha infância ia ao cinema com frequência e nunca deixei de me encantar com a conexão estabelecida. Lembro-me que aplausos aconteciam, espontâneos, fazendo com que os próximos diálogos não fossem ouvidos. Alguns adultos se aborreciam e preferiam a segunda sessão para se livrar dos arroubos juvenis e eu me perguntava
se chegaria o dia em que ficaria impassível frente a um livro ou filme, mas esse dia nunca chegou. Minha alma fica em estado de graça enquanto assisto Avatar, Up, tantos filmes e livros com o poder de transportar e sinto que assim será para sempre, a cada página, a cada filme, a cada peça teatral e agradeço a Deus que assim seja.
Stella Tavares
Já li todos os livros de Harry Potter e aguardo o filme do livro mais recente com grande entusiasmo.Tenho um filho de nove anos e outro de treze, com os quais compartilho, prazerosamente, filmes e leituras. Sempre voltamos conversando sobre o filme, comparando-o com o livro, na mesma sintonia.
Na minha infância ia ao cinema com frequência e nunca deixei de me encantar com a conexão estabelecida. Lembro-me que aplausos aconteciam, espontâneos, fazendo com que os próximos diálogos não fossem ouvidos. Alguns adultos se aborreciam e preferiam a segunda sessão para se livrar dos arroubos juvenis e eu me perguntava
se chegaria o dia em que ficaria impassível frente a um livro ou filme, mas esse dia nunca chegou. Minha alma fica em estado de graça enquanto assisto Avatar, Up, tantos filmes e livros com o poder de transportar e sinto que assim será para sempre, a cada página, a cada filme, a cada peça teatral e agradeço a Deus que assim seja.
Stella Tavares
sábado, 3 de julho de 2010
O outro lado da moeda
E eis que a ideia se aproxima. Inteira, intacta, única. Personagens recém-chegados se apresentam, perfilam, mostram seus encantos. Seduzem nossos sentidos. Bastam alguns segundos e os conhecemos como a nós mesmos. Estamos prontos a defendê-los com unhas e dentes. Traçamos seus destinos. Nesse momento somos o próprio destino ou um deus com poderes limitados por sentimentos e parcialidades. Por mais diferentes que sejam os personagens, estaremos sempre nas entrelinhas. Passamos dias, meses mergulhados em um universo de diálogos, reações. A história caminha, algumas vezes segue o seu próprio rumo. Damos uma pausa, mas os sentimentos permanecem em nós. Seguem-nos no desenrolar do nosso dia. Saímos do computador, mas o que sentimos nos acompanha pela rua, na reunião de pais e mestres, na feira. Até que chega o dia em que descansamos e simplesmente observamos. Tudo se encaixa frente aos nossos olhos. Todos os sentimentos, antes fios desencapados, agora fluem numa energia que confirma que aconteceu o que de melhor poderia. Estão todos encaminhados. Registramos a obra e aguardamos pelo que já sabíamos: São nossos filhos legítimos, sem dúvida! Encaminhamos o original ao editor e aguardamos com a alma exposta. Quanto a mim, pergunto-me se um dia aprenderei a aguardar para saber como se saíram meus filhos? Que sentimentos despertaram? Desisto mil vezes em pensamento, mas antes que perceba uma nova ideia se aproxima:
_Toc toc.
_ Não vou abrir! Digo a mim mesma, mas as ideias insistem.
Sem escapatória, permito a história se apresente, os personagens se mostrem, seduzam os meus sentidos. E eis que tudo recomeça.
Stella Tavares
_Toc toc.
_ Não vou abrir! Digo a mim mesma, mas as ideias insistem.
Sem escapatória, permito a história se apresente, os personagens se mostrem, seduzam os meus sentidos. E eis que tudo recomeça.
Stella Tavares
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