Sempre pensei que existe um lugar onde os personagens habitam. Ficava sempre imaginando que suas histórias continuariam em algum lugar que, a partir do final da leitura, passamos a não ter mais acesso. Como se devolvessemos a privacidade, a maior idade, o livre arbítrio a esses personagens tão reais, atemporais e com o poder de nos conduzir por caminhos que, normalmente, não são os nossos de cada dia. Na maioria das vezes, o que destoa é o que nos encanta. Somos apresentados a eles e em um breve instante já povoam nossas mentes e passam a fazer parte de um valioso arquivo. Não ficamos conectados permanentemente a este arquivo, mas toda vez que buscamos por ele, tomamos posse do mesmo encantamento. Passam nossas histórias pessoais, vão- se transformando em lembranças, mas as lembranças nem sempre são fieis. Com o passar do tempo elas podem nos trair "como aquele monumento alto que parece mais alto porque é lembrança”, exatamente assim como traduziu Clarice Lispector em Água Viva. Ao contrário das lembranças, os personagens e suas histórias permanecerão extremamente fiéis à nossa memória afetiva.
Stella Tavares
O manual do inseguro.com surgiu após escrever a peça O Manual do Inseguro. A princípio, o intuito era falar sobre o tema, mas logo me voltei para o assunto que sempre me moveu: Literatura. Fiquei um longo tempo afastada. Espero aos poucos reconquistar os leitores e amigos que aqui encontrei. Registro na Biblioteca Nacional n° 359.640 em 11/11/05
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Romance escrito em tempo real
sábado, 6 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
Uma canção inesquecível
Troc... troc... troc... troc...
Ligeirinhos, ligeirinhos,
Troc... troc... troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...
Ligeirinhos, ligeirinhos,
Troc... troc... troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...
Algumas vezes, em meio à correria do dia a dia, sou surpreendida pela sonoridade desses versos. Eles faziam parte do primeiro livro de poesia que usamos na escola. O que eu não sabia naquele tempo é que versos, uma vez decorados, serão irremediavelmente lembrados e que aquele primeiro raio de poesia iluminaria para sempre os nossos caminhos.
Livres tamanquinhos que cantarolavam na chuva e que na madrugada faziam troc... troc... pelas portas dos vizinhos. Expressavam uma liberdade que pouco conhecíamos e que mais tarde nos encantaríamos novamente pela forma como foi descrita pela própria Cecília Meirelles :
"Liberdade – essa palavra
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda".
(cecília Meireles)
Stella Tavares
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Doces Lembranças
Lelei era um adolescente magro, alto, tinha os cabelos crespos e serenos olhos verdes que destoavam de todo o resto. Tinha dentro de si uma alma que mais se assemelhava a um beija-flor, borboleta ,bailarina. Não dava para saber ao certo.
Todas as noites ia até a nossa casa com uma latinha de leite ninho, sem rótulo, pedir sobras do jantar, mas antes de entregar a sua lata reluzente, começava a cantar canções que não sei de onde vinham. Seus dedos longos batiam e escorregavam delicadamente e o som extraído da lata virada com a tampa para baixo acompanhava sua voz macia e que mais se assemelhava a uma menina- moça perdida em meio a sua inocente faceirice. Tão logo terminava a apresentação, o seu instrumento musical era entregue para que novamente voltasse à sua função original e fosse levada até a cozinha e preenchida com tudo que ainda nas panelas havia.
Agradecido pela comida e pela platéia fiel de todas as noites, ia-se embora com os seus dedos longos segurando a lata que continha o seu jantar ou couvert artístico como talvez o enxergasse e enquanto subia a rua cantarolava e ia criando novas canções.
Stella Tavares
Todas as noites ia até a nossa casa com uma latinha de leite ninho, sem rótulo, pedir sobras do jantar, mas antes de entregar a sua lata reluzente, começava a cantar canções que não sei de onde vinham. Seus dedos longos batiam e escorregavam delicadamente e o som extraído da lata virada com a tampa para baixo acompanhava sua voz macia e que mais se assemelhava a uma menina- moça perdida em meio a sua inocente faceirice. Tão logo terminava a apresentação, o seu instrumento musical era entregue para que novamente voltasse à sua função original e fosse levada até a cozinha e preenchida com tudo que ainda nas panelas havia.
Agradecido pela comida e pela platéia fiel de todas as noites, ia-se embora com os seus dedos longos segurando a lata que continha o seu jantar ou couvert artístico como talvez o enxergasse e enquanto subia a rua cantarolava e ia criando novas canções.
Stella Tavares
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Dedico a todos os leitores e seguidores o livro virtual: O Manual do Inseguro.

Sinto-me feliz por saber que minhas palavras chegarão até você. Quem escreve não o faz para si. Sempre sonhei ver minhas palavras indo onde eu,talvez, nunca consiga ir. Os personagens então, assim como os filhos, queremos que sejam admirados, ganhem o mundo, se possível. Você que me lê agora, também escreve, siga em frente. As palavras são acessíveis a quem as ama. Nunca permita que alguém te diga que elas nunca te levarão a nenhum lugar, não é verdade. Elas te levarão a todos os lugares, a outros que ninguém conhece e, na pior das hipóteses, te levarão ao que há de mais verdadeiro no seu ser. Espero que aceitem este singelo presente. Aproveito o ensejo para desejar a todos um natal regado de muita paz e comunhão e um 2010 repleto de paz, saúde e que o melhor se realize. Sempre!
Bjs a todos e até 2010!
Para ler o livro " Manual do Inseguro " click aqui.
Por favor, alguém me informe!!!!
Como posso postar um arquivo PDF neste espaço para que
possa ser aberto, fazer download? Ficaria muito agradecida
por uma resposta.
Bjs
Stella Tavares
possa ser aberto, fazer download? Ficaria muito agradecida
por uma resposta.
Bjs
Stella Tavares
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Após uma grande inquietação
Quem entra no manual hoje em dia deve pensar: Esse manual não fala sobre insegurança. Quando criei este espaço, o foco era exclusivamente a insegurança, mas optei por falar sobre tudo que me vai à alma, independente de tema. As mensagens iniciais eram todas assim, mas decidi retirá-las, transformá-las em um livro e dar de presente a todos os leitores, posteriormente. Um livro virtual. Assim como o manual, tudo na vida é passível de mudaça. Somos todas as estações em um único dia. Tanto podemos viver verões ensolarados ou chuvosos,internináveis invernos cinzentos ou rápidos e intensos invernos aconchegantes. Tudo depende da nossa forma de olhar, sentir. Durante todo o mês de novembro passei apreensiva, aguardando por uma biópsia de urgência que fiz no Rio. Apesar de não me descuidar da mamomgrafia todos os anos. Totalmente pega de surpresa. Até andei meio sumida, afastada da prazerosa visita que sempre faço aos blogs parceiros e os que vou conhecendo. Durante todo o tempo pensei em família, marido, filhos , amigos, irmãos. Em alguns momentos senti muito medo, noutros, uma fé surpreendente. Até que chegou o resultado da biópsia e nele, palavras enfileiradas que formavam uma frase que me fez transbordar de alegria: "Ausência de malignidade". Poderia existir no mundo, frase mais feliz que esta? Embevecida, agradeci a Deus por esta intensa oportunidade de reavaliação.
Stella Tavares
Nunca fiz o jogo do contente, mas não é preciso fazê-lo para descobrir que os caminhos da nossa vida são mensagens, pistas, setas que nos conduzem para nossa essência e o que de melhor existe em nós. Acredito que é nela que o Sopro de Deus habita.
Bjs a todos!!!!
Stella Tavares
Nunca fiz o jogo do contente, mas não é preciso fazê-lo para descobrir que os caminhos da nossa vida são mensagens, pistas, setas que nos conduzem para nossa essência e o que de melhor existe em nós. Acredito que é nela que o Sopro de Deus habita.
Bjs a todos!!!!
sábado, 12 de dezembro de 2009
Vale a pena conhecer: Dora Tavares
FATOS
Não se faz
De um instante
A fantasia
Nem se ordena
Com um passo
A minha dança
Não foi feito
De uma dor
O meu amargo.
Dora Tavares
Não se faz
De um instante
A fantasia
Nem se ordena
Com um passo
A minha dança
Não foi feito
De uma dor
O meu amargo.
Dora Tavares
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