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Romance escrito em tempo real

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vida real

Não sou muito boa com datas, mas lembro-me que era um domingo à tarde e um antigo namorado passou em minha casa para buscar-me para tomarmos um sorvete. No banco detrás havia um menino de uns seis ou sete anos e que permaneceu calado apesar de nossas tentativas de puxar assunto. Depois de algum tempo ficamos os dois sozinhos na mesa e o menino começou a falar sobre sua família. Descreveu-me, com riqueza de detalhes sobre os carros da família, festas, falou-me ainda sobre compras e viagens. Lembrei-me dos meus trajes e fiquei apreensiva. Estava vestida para tomar um sorvete numa despretensiosa tarde de domingo e não para visitar uma família que pertencia à alta sociedade mineira. Terminamos o sorvete e após quarenta minutos, estacionamos frente a um muro e um portãozinho que delimitavam um minúsculo barracão de fundos. Pai e mãe vieram ao nosso encontro. Busquei pelo menino que havia conhecido há poucas horas e não mais o encontrei. Sentou-se no chão e pôs-se a brincar com os seus parcos brinquedos. Sentei-me ao seu lado e, só então, nos conhecemos verdadeiramente.

Nunca me esqueci daquele menino e suas fantasias compulsivas que iam crescendo e se agigantando. Nunca mais o vi, mas deve estar com uns vinte seis, vinte sete anos. Torço para que aquela mania de grandeza tenha sido apenas uma fase, pura fantasia de criança e que, com o passar do tempo tenha descoberto como é confortável ser o que realmente somos e que tenha aprendido a se encantar com a própria vida.

Stella Tavares

25 comentários:

Pena disse...

Oh, Maravilhosa Escritora Amiga:
Um poema que é uma lição de vida. Feita de forma cativante e pura.
Já registei no sumário do meu caderno diário.
"...Nunca me esqueci daquele menino e suas fantasias compulsivas que iam crescendo e se agigantando. Nunca mais o vi, mas deve estar com uns vinte seis, vinte sete anos. Torço para que aquela mania de grandeza tenha sido apenas uma fase, pura fantasia de criança e que, com o passar do tempo tenha descoberto como é confortável ser o que realmente somos e que tenha aprendido a se emcantar com a própria vida..."

Pois é, a grandeza, se não for sensata e sóbria conduz a isto.
Parabéns sinceros.
Com respeito, estima e consideração.
Sempre a admirar a talentosa pessoa que é.

pena

MUITO OBRIGADO, pela sua preciosa amizade.
É uma honra lê-la. Fá-la de forma fascinante.
Bem-Haja, fabulosa amiga.
Adorei!

angela disse...

Stella
Poder gostar de si, dos seus. de sua familia e de sua vida é condição para alguma felicidade

beijos

Lucimar Sant`Ana disse...

Adorei!
Gosto muito de tudo que vc escreve mas sempre tem um que me toca mais.
Que a grandeza da sua vida seja sempre um encontro de descoberta.
Beijos.

Lara Amaral disse...

Talvez ele se sentia sozinho, por isso dava tanto valor ao material. Bonita história. Beijos.

Pena disse...

Preciosa Amiga Stella:
Pode contar sempre comigo, deliciosa e pura escritora de fascínio.
Estarei atento.
Sempre a admirá-la e a respeitá-la.
É um prazer. VOCÊ dá as ordens que, para mim, são conselhos ao virtuosismo e às capacidades das pessoas.
Beijinhos amigos.

pena

MUITO OBRIGADO, amiga extraordinária.
Vá aparecendo para informar e relembrar.
Bem-Haja, é sempre um prazer receber um convite vindo da sua parte.

Eva Gonçalves disse...

Na realidade, essas fantasias infantis podem advir apenas de uma imaginação grandiosa e nem sempre são necessidade compulsiva de grandeza...
O pior mesmo, é ver adultos com fantasias semelhantes... e eles abundam praí!
Gostei desta história e da sensatez da necessidade de nos aceitarmos tal como somos... sem fantasias de grandeza... mas nunca perdendo a imaginação! (ou escrita critiva neste caso) :)
beijo

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá amiga! Será que a fantasia foi fruto da sua imaginação, ou simplesmente porque viu, ou ouviu os pais usarem?

Belo texto amiga. Uma verdadeira lição de vida.

Beijos,

Furtado.

Graça disse...

Gostei deste teu texto. Infelizmente, e cada vez mais, as nossas crianças e jovens vivem um mundo que não é o deles...


Um beijo Stella e bom fim de semana

Rafaela Andrade disse...

Forte isso!!!
Sonhos irreais que só fazem sofrer e não ajudam a crescer... é bem por aí
Um abraço

Silenciosamente ouvindo... disse...

Cheguei ao seu blogue saltitando...
registei-me como seguidor "silenciosamente ouvindo",
espero que chegue aos meus:
http://intemporal-pippas.blogspot.com e http://plullina.blogspot.com
gostaria de contactar consigo,
meu email é: iriseu@sapo.pt
Aguardo
Um abraço

Úrsula Avner disse...

Oi Stella, parabéns pelo aniversário do blog que se aproxima. Aceito o seu convite sim e agradeço o carinho a mim dispensado. Desculpe por não ter respondido antes, pois ando muito atarefada ultimamente. Assim que possível enviarei o poema via e-mail. Bj.

Opuntia disse...

A fantasia é própria das crianças; o perigo é ela se transpor à realidade.

Bjos

Faces de Mulher disse...

Boa noite stella!!!
Hoje estou aqui para pedir uma ajudinha...
Estou participando da promoção "Solar Repair Verão"
Do blog Pri em forma
Gostaria muito de ganhar esta promoção.
Para que eu ganhe devo ter o maior numero de comentários, gostaria muito da ajuda de vocês.
Vocês podem ajudar-me deixando comentários em minha foto que esta participando da promoção no link abaixo:

http://www.flickr.com/photos/mix_use/4008572722

Não tenho a certeza, mas, creio que só é possível deixar comentários, quem tem e-mail no yahoo.
Conto com vocês
Desde já agradeço a colaboração
Chrys
;)

Graça Pereira disse...

Gosto de ler-te e adorei a história que é e deve ser uma lição de vida.
Grande mesmo...só a nossa alma e essa, tu a tens bem linda!
Um carinhoso beijo.
Graça

Livinha disse...

Mágica história, casos poucos que vivenciamos no dia-a-dia, mas jamais vista, as poucas que vimos a saber como apenas fantasia... Está aí nesse quadro narrado que você teve o prazer de ouvir... Qtos não estão por aí a sonhar e poucos a oportunidade de alguém pra ouvir... Quem sabe, se esse menino, não trazia com ele tbém a idéia da construção, a determinação de um dia, quem sabe, tudo não me será real....

Maravilhoso Stella, queria ter sido eu, pra viver isto... Adoro conversar com crianças, como os idosos, nas duas pontas, existe muito o que aprender...

Feliz Semana!
Bjss

Graça disse...

Querida Stella,

Passo para te deixar um beijinho e dizer-te que gostava de aceitar o teu convite, para a comemoração do aniversário do blogue... só ainda não pensei como. Depois, digo-te :).

DIABINHOSFORA disse...

Olá Stella

As crianças fantasiam mesmo, em busca de um sonho que gostariam de tornar realidade. É até bom que sonhem alto, mas não alto demais. Daí que os pais devam estar atentos e ouvir sem pressas os seus desabafos e fantasias, para que eles mantenham sempre um dos seus pézitos na terra:))
Mas é lindo sonhar, não é?

Beijinhos

Reino da Fantasia disse...

Tomara que sim!!bjs

tertulías disse...

Que estória interessante. Sim, acho que é uma grande sabedoria estarmos felizes com o que somos - por dentro e por fora. Linda postagem. Sensível.
Mas nao se fala "Mania de Grandeza"? (em alemao é "Grössenwahn" que significa a mesma coisa!)

Carlos Bayma disse...

Tem premio para seu blog.
Vá buscá-lo:
http://koyaanisqatsi-cb.blogspot.com/2009/10/premiacao.html

Carlos Bayma

*Adriana* disse...

Fantasiar é bom e ruim ao mesmo tempo. É necessário saber até onde podemos fantasiar e em que momento voltar para a realidade. Já fantasiei muito em minha vida mas a realidade não é nada educada e sempre me trouxe de volta abruptamente.
Amei seu texto.

Abçs
Adriana

Deni Maciel disse...

lembranças
*-*
mto bom passar aqui.
adorei a rtextualidade
e inteligencia dos textos e afins.
espero vir mais vezes
abraços e ótima semana
=]

São disse...

Sim, não há encanto maior do que a vida ela mesma. Por isso tragédia ainda maior quando no-la roubam.

Fique bem.

elvira carvalho disse...

Um texto muito bom. Na verdade há muita gente crescida assim. Que gosta de se fazer passar pelo que não é.
Um abraço e uma boa semana

Eu oh! disse...

Talvez o menino quisesse pertencer a esse mundo,nessa idade ele não queria fazer-se passar por outra pessoa, mas gostaria de pertencer a mundo que não era o dele.

Bjinhos gostei do post.

Eu OH!