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Romance escrito em tempo real

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O SENTIDO DAS PALAVRAS

Palavras sempre funcionam como um passaporte que me conduz a lugares que nunca fui. Apaixono-me por elas e não necessariamente pelos seus significados. A palavra que mais me encanta é MOVIMENTO. Encanta-me pelo som e também pelo significado. Dá uma sensação de renovação, de aglomeração, de bons resultados. Quando se faz um movimento em prol de alguma causa normalmente obtém-se bom resultado. Lembra-me também um passo de dança, a resposta da água quando se atira pedrinhas no lago. Acabei de carimbar o meu passaporte e a palavra movimento já me conduziu a todas essas imagens. Quando crio um personagem as palavras se multiplicam, salpicam, mesclam um mosaico. São palavras do personagem e não minhas. São eles que me conduzem, eles próprios desenvolvem suas histórias, seus desfechos. Em alguns trechos até encontro minhas digitais pelo texto, afinal fui eu quem escreveu, mas várias vezes já fui surpreendida por eles. Assim como Júlia, a personagem principal de “No convés do tempo” muitas vezes nos misturamos, nos transfundimos, mas ela sempre vence nossas semelhanças e apresenta-me suas peculiaridades. Enquanto escrevia No convés do tempo, andei em companhia de Júlia por todos os caminhos, visitei sua casa, sua infância, sua cidade, permaneci ao seu lado até quando ela entrou em vida vegetativa. Acompanhei-a vida a dentro e ao mesmo tempo permaneci junto ao seu leito, aguardando ansiosa por algum MOVIMENTO.

Stella Tavares

22 comentários:

O homem e a mente disse...

Isso porque nelas não só estão as letras mas a energia da mensagem. Porque nelas se expressão o sentimento, porque com elas se reconhece a alma.

Flavio Dutra disse...

Teus textos me cativam,há uma comunicação comigo, e sabe por quê? Porque você escreve bem, so isso.
Bjão.

Juliana Dias disse...

Sim sim. Muito bom esse texto. Se palavras te cativam, as suas me cativam muitoooo!

beijos querida!

Fatima disse...

Stella, fico surpresa a cada texto seu, pois coloca coisas que nunca pensei, nunca chegaria até elas por autonomia.
Sempre me senti transportada para o imaginário através dos sonhos, nunca das palavras.
Isso é sensibilidade nata.
Bjs em MOVIMENTO.

Edna Lima disse...

Saber escrever, organizar as palvras, que todos ouvimos todos os dias, formando um belo texto com oeste.Bjs Edna

Eva Gonçalves disse...

Faço minhas as suas palavras... concordo em absoluto!!
Beijo e bom feriado

Fátima disse...

Stella, desculpe por favor, estou metida em grande confusão quanto ao recebimento de comentários por email. Se puder me ajudar respondendo esse para que eu possa testar o novo endereço, agradeço.
Sou novinha, ainda vou aprender.
beijos e desculpas por usar seu espaço, tomei a liberdade.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Stella! É realmente muito difícil escrever sem misturar o "eu", da personagem criada. Belo texto!

Beijos,

Furtado.

angela disse...

Sentia sua falta.
Lindo texto e penso que um escritor é tomado pelo seu personagem assi como um bom ator ou quando se le um bom livro e da aquela pena quando termina. Aquela melancolia, quando se escreve isso deve ser maior ainda.
Gosto da palavra movimento e gosto do movimento em si, na dança, na musica, na vida.
beijos

Adriana disse...

Boa noite Stella!

É uma escritora sensível e que se mostra em perfeita harmonia com as palavras.
Adorei teu livro O ADESTRADOR DE SENTIMENTOS.

Abçs

entremares disse...

Praia de Copacabana, uma tarde morna de primavera.

- Uma coca-cola light... e um café expresso, por favor.
O empregado atencioso desapareceu, gincando por entre as mesas cheias, em plena tarde. Corria aquela aragem fresca do mar, as esplanadas estavam cheias de gente de fim de tarde, bebericando refrescos, lendo jornais, descansando a vista no areal da praia. Uma tarde normal, pejada dos ruídos do trânsito, dos gritos dos vendedores de bugigangas, aqui e ali salpicada por casais de namorados enrolados na areia.
- Pode ser uma cola zero, dona? E senhor... não temos café...

Como assim, não têm café? Mas estamos no Brasil, como é possível não ter café? Em Roma é obrigatório ter pasta, vocês têm que ter café... como é possível?
- Anh... pode ser então uma água... sem gás.
O empregado desapareceu novamente, insensível aquele desabafo mental.
Sinceramente... onde já se viu... uma esplanada sem café?
Ela sorriu-lhe.
- Amor... queres ir procurar outro lugar? Pode ser que tenham café...

As madeixas louras caiam-lhe pelos ombros, naquele jeito tão especial de lhe emoldurar o rosto. Não se cansava de a admirar.
- Não... sério, está tudo bem... tomo uma água... estamos bem aqui...
Olhavam para o mar, para a areia branca onde se haviam sentado, pouco antes, entrelaçados num daqueles abraços apaixonados. Na mesa do lado, outro casal tentava explicar a um dos funcionários da esplanada qual o botão a carregar, na máquina fotográfica digital. O pobre moço insistia em pressionar o botão errado e finalmente, depois de várias poses e sorrisos para o flash, o casalinho lá se deu por satisfeito e libertou o pobre fotógrafo desajeitado.
E eis que nesse momento lá vem ela... uma bola azul, disparada de longe, do campo de jogos improvisado bem defronte da esplanada.
Embate na mesa da frente, fica ali a dançar junto das pernas da moça, o possível namorado a franzir a testa de desagrado.
Um dos jogadores corre, vem buscar a bola, o corpo reluzente de suor. Desfaz-se em desculpas, lança à rapariga um sorriso desafiador e volta de novo ao jogo, bola debaixo do braço.

- A sua água, senhor...
Ah, sim, a água, já se esquecera dela. Que vicio aquele, de observar as pessoas. Mas não se cansava, o mundo sempre seria um imenso palco de histórias simultâneas, histórias cruzadas, histórias paralelas, personagens surreais, realidades que por vezes superavam – e muito – a própria ficção que ele adorava escrever.

Mas... outra vez?
Era. Outra vez.
A mesma bola azul, volteando pelos ares... em direcção à mesma mesa, talvez mesmo mais certeira, alojando-se mesmo aos pés dela. Ela segurou-a entre os pés, divertida. O seu acompanhante alternava entre o divertido e o desagradado, sem se decidir ao certo.
E lá vem de novo o espadaudo bronzeado buscar a bola, o mesmo sorriso, a mesma desculpa esfarrapada.
Ela finge reter a bola entre os pés, oferece resistência... ele lança-lhe um sorriso de malicia, pisca-lhe o olho.
Finalmente pega na bola, lança-lhe um sorriso quase beijo e volta de novo ao areal.

Por baixo da mesa, sentiu o toque bem familiar da perna dela, a roçar na sua.
- Estavas a observar.... não estavas?
Segurou-lhe a mão, entrelaçando os dedos nos dela.
- Estava... a divagar, é só – respondeu ele.
- A divagar, pois... vai sair daqui uma história, não vai? Mais uma das tuas histórias...
Foi a vez dele sorrir.
- Essa agora... porque dizes isso? Eu só estava aqui a descansar, mais nada... e depois veio aquela bola azul e...

- Eu sei... estás outra vez com aquele brilhozinho...
- Brilhozinho? Como assim?
- Brilhozinho, sim... aquele olhar brilhante com que ficas ... quando te surgem essas ideias...

Beijou-a.
- Hum.... – lá disse, finalmente – és deliciosamente perspicaz, sabias?
Ela concordou.
- Estou só... a ler-te o olhar... só isso...

Sonia Schmorantz disse...

Gostei da energia que passa às palavras!
beijo

Graça Pereira disse...

Palavras... são um passaporte. E tens razão. Sem darmos por ela, estamos em qualquer parte do globo, usando esse movimento que a ti te encanta e a mim também.
Mas tu crias personagens com vida própria e que ás vezes, te surpreendem...É que elas têm movimento, aquele que tu lhes deste.
Gosto de ler-te e é lindo o que escreves e entro também no teu movimento.
Beijo,minha querida!
Graça

Braulio Pereira disse...

teus textos sao alegria para mim.
é como uma suve musica.
que penetra adentro...

gosto de ti...

beijos com carinho...

António disse...

Palavras, com elas expressamos sentimentos, alegrias e dores, choramos por causa delas e dizemos meu amor.

Obrigado pela visita.

Cláudio J. Gontijo disse...

Parece não haver vida sem movimento. As células murcham sem a sua dinâmica constante. A natureza deixa de pulsar e é engolida pelas intempéries.

Agradeço-lhe por ter escolhido seguir a minha página simples.

Sua escrita é cheia de emoção.

Assis de Mello disse...

Stella, obrigado por sua postagem em meu blog. Estoiu aqui espiando o seu e gostando muito. Vou ler com calma.
Super beijo, Chico

Livinha disse...

Fantástico texto Stella,
falando em movimento, no jeito que move e a si move, todas as coisas, que nos pensamentos, se dar ao transporte... Incrível viagem onde se lida com a passagem movel, sem obstáculos, sem bloqueios... a gente sai e realiza, sobrepondo até mesmo a lei da física...

Maravilhoso, adorei!
Minha querida, saudade de você,
aproveitando para te ensejar um maravilhoso fim de semana junto aos teus
Bjss

EDUARDO POISL disse...

Lindo texo!!!
Teu blogger é muito bom.

"No fim tu hás de ver que as coisas
mais leves são as únicas que o vento
não conseguiu levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia
o próprio vento"

(Mário Quintana)


Desejo um lindo final de semana com muito amor, paz e carinho.
Abraços com todo meu carinho.

porta aberta disse...

movimento é realizar!nunca sentar e esperar belo texto !vim lhe convidar estella para meu novo blog.marcia

ju rigoni disse...

Olá, Stella!

Seu texto flui. Segue seu caminho, e vence qualquer obstáculo. Ele tem o movimento belo das águas de um rio correndo ao encontro do mar. Percebo também (no que o meu tempo permitiu ler) que há muita poesia na sua prosa.

Movimento é mesmo uma palavra encantadora. Nela, há transformação, histórias e História. Há, sobretudo, vida.

Bjs e inté!

Fátima disse...

Stella, já resolvi a questão do recebimento de comentários por e-mail .
Não conseguia verificar minha conta, tive que criar outra.
Agradeço sua atenção.

Bjo.