Assoprava aleluias esvoaçantes na minha infância, as quais colhia com cuidado e perícia. Estudava até a posição do vento. Que força e magia teriam se assoprasse uma aleluia subtraída pelo vento? Ficava admirando o que os meus olhos acreditavam serem milhares de partículas levadas para sempre e a todos os lugares desse mundo. Este foi o meu primeiro contato com a palavra Aleluia! Apesar de não saber que significado tinha, apenas entendia o que sentia e via. Aleluia da beleza! Do espetáculo das partículas mensageiras que, conduzidas pelo vento levariam o meu pedido à presença de Deus.
Hoje os meus filhos assopram os seus desejos. Quanto a mim, a bem da verdade, nunca deixei de assoprá-los. Exatamente como faço agora nesse sopro de Aleluia! Que agora compartilho.
Uma feliz Páscoa a todos e Aleluia!
Pela Ressurreição de Cristo e renascimento nosso de cada dia.
Stella Tavares
O manual do inseguro.com surgiu após escrever a peça O Manual do Inseguro. A princípio, o intuito era falar sobre o tema, mas logo me voltei para o assunto que sempre me moveu: Literatura. Fiquei um longo tempo afastada. Espero aos poucos reconquistar os leitores e amigos que aqui encontrei. Registro na Biblioteca Nacional n° 359.640 em 11/11/05
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sábado, 11 de abril de 2009
Aleluia! Pelo renascimento nosso de cada dia
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A importância do primeiro passo – Andréa Bertiglione 27 anos
Para a surpresa de todos, que já haviam silenciado após tanta insistência, chegaram até a cogitar a possibilidade de levar-me à força em busca de um tratamento, peguei o telefone com minhas próprias mãos e marquei minha primeira consulta.
Um passo após outro e outro e, de lá pra cá, meu Deus! Quantas conquistas!
Depoimento postado através do email manualdoinseguro@yahoo.com.br
domingo, 5 de abril de 2009
Depoimento enviado ao manualdoinseguro@yahoo.com.br
Sem olhar para trás
Quando a depressão pós-parto se instala:
Nunca fui uma pessoa insegura, mas lembro-me como se fosse hoje o nascimento de minha primeira filha. Tanto aguardei por aquele momento, com tanto entusiasmo e, quando esse momento chegou, não conseguia me sentir feliz. Culpava-me por isso. Sentia-me a pior pessoa desse mundo. Se leoas, girafas amam e sabem cuidar de suas crias...Se até as tartarugas que põem os seus ovos na areia e vão embora, o fazem por amor e como forma de proteção, então por que justo eu uma mulher esclarecida, normal, não conseguia externar o meu amor? Sentia-me despreparada, incomodada, sem identidade e extremamente insegura. Toda vez que minha filha chorava eu chorava junto. Julgava-me uma péssima mãe e sentia um medo fóbico de perdê-la por culpa da minha inexperiência e até incapacidade. Aconselhada por uma amiga, procurei um médico que, imediatamente diagnosticou minhas culpas e desabamentos: depressão pós-parto. Voltei para casa com algumas caixas de remédio na bolsa e o coração mais feliz e aliviado. Não era uma fêmea sem sentimentos, era simplesmente uma pessoa fragilizada e que carecia de tratamento.
Algum tempo depois estava recuperada e pronta para ser a mãe que sempre imaginei que seria. A partir daí tive forças para seguir e procurei não olhar para trás. Tive mais duas filhas, mas esse quadro nunca mais se repetiu. Achei importante dar esse tipo de depoimento. Não quis me identificar pelo simples fato de que não quero que minha primogênita saiba que, mesmo involuntariamente, a rejeitei, ainda que fosse por um segundo.
Uma leitora do blog
quarta-feira, 1 de abril de 2009
NEM PEDRA... NEM TIJOLO
Júlio César era um homem solteiro de seus quarenta e poucos anos que morava com sua mãe e duas irmãs. Passava a maior parte do tempo na fazenda e, nas raras vezes que vinha à cidade, e tinha de enfrentar olhares, ele se desesperava. Era imensamente tímido.
Lembro-me de que ele sempre portava nas mãos um objeto qualquer, como a dissimular seu desconforto diante das pessoas. Enquanto passava por elas, dedilhava sobre o objeto, dedos compridos e desajeitados, rosto alternando
Todos percebiam que aquela era a única maneira de enfrentar esses obstáculos, quase uma missão, o de não demonstrar tamanha insegurança. Mas só conseguia evidenciar ainda mais o problema. A cada vinda à cidade, repetia-se o ritual.
Júlio César perdeu a mãe, uma das irmãs, deixando então, de freqüentar a cidade. Por absoluta falta de motivos, creio que não esteja vivo.
Se me fosse dado defini-lo, hoje, diria não ter sido feio, nem bonito; se não fez nenhum bem, também, nenhum mal causou a ninguém. Parecia não se perder de amores e nem que alguém tivesse suspirado por ele. Era insosso, de vida insípida.
Às vezes, me pergunto como teria sido sua vida, se tivesse derrubado aquela imensa muralha que lhe atrofiava os gestos, reduzia-lhe os sorrisos, mutilava suas palavras...
terça-feira, 31 de março de 2009
Clarice de Almeida, 59 anos
Identifiquei-me profundamente com o autor do relato “Homem não chora”. Cometi esse erro com os meus filhos. Quando eles nasceram, morava em uma minúscula cidade no interior de Minas e tudo que eu sabia havia aprendido com minha mãe que aprendeu com minha avó e assim por diante. O maior medo de todos os tempos era não saber como criar um filho homem. Para falar a verdade tinha medo até de amar além da conta e comprometer a masculinidade deles. Preferia manter um relacionamento mais distante, sem muito carinho. Achava que se os tratasse secamente evitaria problemas futuros. Hoje vejo como errei. Converso com eles, hoje todos adultos e peço a eles que me perdoem. Por acaso se a opção sexual deles fosse diferente deixariam de ser meus filhos? É claro que não. Por sorte eles entenderam as minhas dificuldades e limitações e apesar de ter engolido muito choro, muito medo, muita falta de diálogo, se tornaram homens bons, educados, gentis, amorosos.
Mas se pudesse voltar o tempo não teria mais essa de filho ou filha, amaria todos com o mesmo e genuíno amor: o amor de mãe.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Antunes Caldeira disse Homem também chora.
Dizer que homem não chora implica em uma série de proibições, mas reunido a todas elas temos como resultado a idéia central: Homem não pode fraquejar. Sofri anos a fio com esta idéia martelando em minha mente. Ao contrário de tudo que ouvia, eu sentia medo e olha que não eram poucos. Sentia medo de escuro aos oito anos, chorava baixinho quando acordava durante a noite e não podia chamar por minha mãe para não assinar um atestado de medroso. Chegou a adolescência e comecei a me sentir inseguro, não merecedor de um lugar ao sol. Era magro demais, baixo demais, calado demais, não tinha assunto com as meninas. Detestava falar em público, apresentar trabalho em sala de aula, se pudesse nem chamada eu responderia. Foram anos difíceis. A minha sorte é que de estudar eu gostava. Todos gostavam de participar da minha equipe porque, na maioria das vezes, eu fazia todo o trabalho em troca da dolorosa apresentação.
Ao final do segundo grau prestei vestibular para engenharia mecânica e passei em primeiro lugar. Depois disso senti ir acalmando esse meu lado feitor. Fui percebendo que o primeiro e mais importante passo seria o respeito por mim mesmo, por minhas escolhas e decisões. Se me respeito, todas as pessoas me respeitam. Falando assim parece a conclusão mais elementar do mundo, mas vivenciar o aprendizado é um longo caminho.
A todas as leitoras, mães, educadoras: ensinem a seus filhos homem também chora e não existe nisso nenhum demérito.
domingo, 29 de março de 2009
Passei da idade de sentir vergonha.Lucas Sampaio- 62 anos Anhembi- SP
Passei por este estágio, quando cheguei à conclusão que ninguém paga as minhas dívidas, e não sou obrigado a agradar ninguém, porque não preciso disso para viver.
Muitas vezes, por eu demonstrar insegurança, nestes pequenos gestos, pude sentir o lado negro de muitas pessoas, que abusaram da minha ingenuidade.
Infelizmente o ser humano é assim... Muito fácil entender a linha de raciocínio.
- Quando mais você abaixa mais sua bunda aparece.
- Mais vale um pássaro na mão no que dois voando.
- Coração do homem é caminho que só Deus conhece.
(Não preciso dizer mais nada)A Lucas Sampaio, o Lucas Doido do Recanto das Letras, o nosso carinho e agradecimento sinceros.